o outro lado

Denny’s, Applebee’s, IHOP, Lyon’s, HomeTown Buffet, Red Lobster, Carrows, Chevy’s, Chili’s, Chipotle, Sizzler, Outback, Fresh Choice, Marie Callender’s, The Old Spaghetti Factory, Olive Garden, Bakers Square… Uma pequena lista de rede de restaurantes que têm algumas coisas em comum: bom preço, pratos fartos e comida massificada. Uma fonte fidedigna [um insider] me contou que nessas redes tudo é congelado e preparado industrialmente, nada, absolutamente nada é feito na hora, from scratch. Tudo vai do freezer para o forno, de pacotes, caixas e esquemas de preparo antecipado pra agilizar e baratear o processo. Quando você vê do balcão o cozinheiro preparando o seu prato ali na hora, e come tudo fresquinho, orgânico, local, preparado com os melhores ingredientes, não dá mais pra enfrentar essa massificação, que infelizmente já virou modelo de comida americana para exportação.
Mas numa bela tarde de domingo o inusitado acontece. Eu queria beber um chocolate e comer umas torradas francesas. Era o nosso café de fechamento do finde, que sempre fazemos em casa, mas o Uriel quis inovar e fazer na rua. Pensamos em ir no Ciocolat, que é uma casa de chá muito boa a três quarteiros de casa. Mas no meio do caminho fica uma Bakers Square, e então eu tive a idéia de girico de tomar nosso café lá. O Uriel foi contra, mas eu teimei!

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Pedimos o cardápio de café da manhã às cinco da tarde. O restaurante estava cheio de velhinhos já jantando. Nesses lugares quem manda é o cliente. Se você quer tomar café da manhã na hora do jantar, será feita a sua vontade. Pedi um prato com as french toasts, que era o que eu queria, mas que de quebra trouxe ovos mexidos e bacon. Uma xícara de chocolate quente, que veio num copão de papel de um litro. O chocolate, um pozinho misturado no leite. Os ovos, saidos de uma caixa de omelete pré-misturada. As french toasts, congeladas. O bacon, pré-frito e requentado no microondas. Pra acompanhar maple “fake” syrup. TUDO, TUDO era industrializado. NADA, NADA tinha gosto de comida caseira, feita na hora. O Uriel com aquela cara de “tá feliz agora??” e eu simplesmente chocada por estar ali, comendo aquela comida plastificada.
Na hora de pagar a conta, fiquei olhando a vitrine das famosas tortas da Bakers Square: açúcar, açúcar, açúcar, açúcar, açúcar, toneladas de açúcar, e chantily falso cheio de conservantes, massa das tortas cheia de gordura vegetal, ou margarina. E por falar em margarina, veio uma bolotona de algo amarelado no meio das minhas french toasts e eu perguntei pro garçon, o que é isso? E ele, é manteiga! MANTEIGA??? Tá boa, hein santa?!

9 comentários sobre “o outro lado”

  1. Mas não é que a gente faz dessas coisas mesmo de vez em quando? sabe que o lugar não é bom, mas bate uma teimosia insana, como que de propósito, para depois a gente se arrepender e ficar com cara de besta.
    É Fê, isso acontece com todo mundo, acho eu, rsrsrs.

  2. então fui fazer feira bem cedinho, aquela voltona primeiro pra ver os preços e as barracas e depois fazer a feira mesmo.
    No final saco-de-lona cheio, paradinha básica na padoca da esquina.
    Eu – Por favor, um café com leite mais café do que leite, e um pão frances com queijo branco na chapa.
    Ele – Sai um pingado-escuro com mineirinho na conoa!!!
    Eu pensando-comendo-rindo – Isso aqui ôô… é um pedacinho de Brasil aiai…

  3. Hum… eu sou suspeita para falar, pois gosto de todos, e aqui é tão raro irmos a um deles, pois comemos from scratch todos os dias. Inovar é visitar estes restaurantes. O nosso favorito é o Cheesecake Factory, mas aqui nem existe… bjs!

  4. Haha! Fer, adorei o post. Taooo verdadeiro!! Alguns desses ja nem gostavamos e os outros, ou outro (Chilis), ultimo dos moicanos na resistencia familiar, foi abolido tb qdo criei uma recipe (southwerstern chicken) baseada no motivo do maridao querer ir la..hehe:))
    A bolota de ‘manteiga’ fechou!! hahaha
    Bjs e otima semana,
    Bri

  5. Há muito tempo não lia um relato tão pungente sobre uma sessão de tortura.
    Aqui, já não estamos muito distantes disso.
    Pior, conheço crianças cuja memória degustativa da carne de frango, por exemplo, está mais associada aos “chikenitos” e a outros empanados industriais, feitos sabe-se lá com o quê, do que com o próprio frango.
    É o futuro.

  6. Menina, a gente se acostuma a essas coisas prontas, e até esquece do quanto é bom algo fresquinho, feito na hora…
    Lembrei muito de vc ontem, pois tava vendo no GNT a uma programa sobre a Martha Stewart, e só me vinha à mente vc, comentando q viu tal ou qual receita na revista dela…
    beijos e boa semana!!!

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