Zen and the Art of Cats Maintenance

Enquanto limpo o banheiro dos gatos reflito sobre a importância de uma areia de boa qualidade para cristalizar bem os xixis, encroquetar bem os cocôs, manter o cheiro suportável e deixar o meu trabalho mais fácil. Com a pá que também é peneira, vou cavocando a areia cheia de granulados azuis e colocando as bolotas fedorentas dentro de vários sacos de supermercado, um dentro do outro. Limpo o que é preciso limpar concentrada e relaxo dando risada com o fulano xereta que vem colocar a cara na caixa aberta e checar curiosamente o que estou fazendo. É um trabalho detestável, mas que eu faço com cuidado e dedicação. E acaba virando um momento de meditação, quando eu posso refletir sobre alguns fatos da vida. Como por exemplo, quando pensamos que estamos sendo espertos economizando dinheiro comprando uma coisa de qualidade inferior, achando que ninguém vai notar, que não vai fazer diferença, que é tudo a mesma coisa – mas não é! Areia pro banheiro dos gatos tem que ter qualidade, senão forma poeira, espalha pela casa toda, intoxica o ar numa fedentina insuportável, o bloco de xixi esfarela e a limpeza fica muito mais difícil e chata. Pode-se também usar o momento da limpeza do banheiro dos gatos para refletir sobre a impermanência de tudo, de como fazemos uma coisa hoje e temos que refazê-la amanhã, ou de como sempre alguém acaba limpando a sujeira do outro, mesmo que o outro seja um animal. O cristal azul quebra a frieza da areia cinza, o cheiro inebria, a textura hipnotiza, a pá que também é peneira faz desenhos circulares, os pedregulhos fecais são escuros e inertes, como, exatamente como, num pequeno e zen jardim japonês.

8 comentários sobre “Zen and the Art of Cats Maintenance”

  1. lendo assim até parece bom limpar a casa de banho dos gatos, mas não é, não!…o cheiro entra pelo nariz quando se revolve a areia e se encontra a molhada pelo xixi…os cócós até que ficam sem cheiro…
    eu também opto por usar areia da melhor qualidade porque não dá cheiro nenhum, o cheiro existe só na hora de trocar que aqui em casa se faz 1 vez por semana. É só uma gatinha!

  2. Fer, realmente essa tarefa chatérrima virou poesia nas suas palavras!
    Jardim zen! Só você mesmo!!!
    Ótimo resto de dia pra você!
    PS: outro dia estava ouvindo a música Lua e Estrela do Caetano e lembrei de você… engraçado, sem mais nem menos…você gosta?
    Beijos!

  3. Aqui em casa essa tarefa também é minha, Fer… Só que não consigo meditar, não! Como disse a Daninha, as areias aqui no Brasil deixam a desejar, e meu Cookie não se adaptou aos cristais de sílica. Eu compro uma areia argentina, tipo Tidy Cat, que dá pro gasto. ;o) Bjs

  4. Nossa Fer, você descreveu com tamanha perfeição poetica esse momento diário de quem optou pela companhia dos bichanos, assim como eu, que pude me transpor ao momento levada por suas sábias palavras… Terra tem mesmo que ser de otima qualidade, o que aqui no Brasil não se acha muitas não.

  5. Isso eh o que eu chamo poesia. No meu mundo perfeito, existiria o tal produto “Va-poo-rizer”. que soh existiu mesmo num filme com o Jack Black ( nao lembro o nome)..hehe
    Thanks heavens por existirem os mocoilos da casa pra fazer o dirty service que as meninas nao conseguem (eu +Bella ficamos embrulhadissimas com isso..eita!!).
    Bjs e obrigada pelo momento ..Zen:))
    Bri

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