o cheiro das coisas

Todo mundo sabe como funciona e tem uma história pra contar com relação a essa memória do olfato. Aquela que nos faz relembrar de coisas, pessoas, reviver momentos, nos remete num flash a algum outro lugar ou tempo, nos faz viajar na lembrança. Hoje eu vivi um episódio desses, ao sair do banheiro do Robbins Hall. Uma estudante estava num nicho no corredor, onde ficam uma mesa, cadeiras, sofás, uma máquina de xerox e uma estante com panfletos e livretos. Ela falava no celular numa língua asiática, sentada à mesa, onde repousava o resto do seu almoço: uma dessas vasilhas enormes de isopor, onde se joga água quente e faz uma sopa de noodles. Passei por ela e imediatamente senti um cheiro de comida. Era um cheiro familiar e particular, um cheiro que me teletransportou para um outro prédio acadêmico, num outro país, por onde eu também passava frequentemente. Meus olhos se encheram de lágrimas e eu fiquei uns segundos tomada por aquela sensação calorosa da lembrança. Aquele era o cheiro da cafeteria que tinha num dos andares do suntuoso prédio da Agricultura da Universidade de Saskatchewan. Um prédio todo de vidro, estrutura moderna, que custou não sei quantos milhões de patacas canadenses, e que tinha o mesmo cheiro da sopa de noodles da estudante da Universidade da Califórnia – desses no recipiente de isopor, que se compra em qualquer supermercado por uns meros mirréis.

6 comentários sobre “o cheiro das coisas”

  1. Tenho uma memória ofaltiva muito forte entao me relaciono bem com o teu post. Tenho uma colega de trabalho que perdeu o olfato e confesso nem conseguir imaginar o que é isto.Acho que afeta tantas outras coisas. Por mais que ame maracujá até hoje ao cortar um me lembro de antas no parque de Belém. ano sei mais dizer se tem pes de maracuja no parque e coincidentemente sentia o cheiro no canto aonde via as antas. Mas os cheiros para mim sao inseparáveis.

  2. Fer, identificação total…
    Pra mim, as mais marcantes são de perfumes que já usei em certas épocas, em especial qdo comecei a namorar o maridex, há 10 anos (lembram do gabriela sabatini? pois é… affff), e de qdo moramos em Brasília, q eu usava o Aqua de Gió todo santo dia antes de trabalhar…
    Lembranças e bons sentimentos, que vc traduz sempre muito bem…
    Beijos!

  3. Fer, querida, fiquei emocionada com o seu post.
    Sempre digo que cheiros e músicas nos teletransportam para mil lugares e situações vividas.
    Semana passada, arrumei o armarinho do banheiro para reciclar um pouco as coisas e jogar fora o que estava vencido. Achei um condicionador que nunca mais usei, abri e senti o cheirinho. Voltei no tempo, exatamente há um ano e meio – quando comecei a trabalhar na empresa em que estou hoje, me vi voltando pra casa, dirigindo por aquele caminho novo, avenidas que antes me causavam pavor só de pensar passar por elas.
    Tantos medos e inseguranças naquele começo. Fiquei com aquela sensação de “I’ve come a long way”.

  4. Vc sabe realmente falar de uma maneira emocionante sobre estes sentimentos que todas temos e que por vezes é tão difícil colocar em palavras. Lindo post!

  5. Olá Fer, o que o seu texto fala é tão verdadeiro que estou aqui escrevendo e ao mesmo tempo lembrando dos vários cheiros que também me transportam para várias recordações, são pequenos momentos incriveis que nos podem deixar a rir, chorar…com emoções à flor da pele.Tenho muitos cheiros que me deixaram recordações únicas, como aquele cheiro, quando entro na escola do meu filho perto da hora do almoço e me cheira a lancheira de almoço, igual aquela lancheira que a minha mãe preparava para mim…transportam-me para aquela escola onde passei momentos muito felizes.
    Beijos
    Cris

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