a trilha sonora do capítulo de hoje é Dylan

Ele está na fazenda de pistacho no sul da Califórnia. Não fui nadar, porque estava ansiosa para ir até a Borders com um cupom comprar o novo cd do Bob Dylan. Comprei também mais um livro de culinária francesa, desses com fotos bonitas, e postais pro meu amigo Guto. Na volta passei ao lado da inquilina da minha guest house e seu cachorro de três pernas conversando com o meu vizinho cinqüentão tri-atleta na calçada. Essa foi uma história traumatizante que felizmente acaba depois de amanhã.
Comida, comida! Nao quis comer no restaurante italiano, nem no bistrô das saladas. Peguei o carro e fui até o Co-op, nosso supermercado cooperativa. Enchi o carrinho de coisas tolas – sorvete de frutas, wrappings com hummus e falafel, marmelada, pão preto, duas bananas, polenta corn chips, hamburguer vegetal. Ouvi pela terceira vez neste dia um elogio à minha roupa – your top is awesome! Sim, é mesmo!
Uma taça de vinho branco de Cadiz na Andalucia, salsa de vidro com coentro e azeitonas, figos verdes e roxos, iogurte grego com mel. Bob Dylan tocando no cd player me leva quase às lágrimas. Meu vizinho recebe uma visita, um cabeludo hipongo. Será o George da esquina? Eu achava que o George era desempregado e até sentia pena da mulher sorridente dele, quando fiquei sabendo que ele é um professor do departamento de Artes. Quanta diferença do departamento de Engenharia agrícola, onde ninguém tem tempo pra nada e ainda viaja. Todos os meus vizinhos são acadêmicos.
Vou ler A Little Taste of France, vou escrever postais, de óculos que eu odeio, vou terminar de mastigar os figos, que eu adoro, e sentir as sementes estourando entre os meus dentes, vou terminar de ouvir Dylan e seu Modern Times, tentando não sair dançando pela cozinha, evitando que o meu vizinho me veja pelas janelas e me pegue no flagra comendo, bebendo, cantando.

15 comentários sobre “a trilha sonora do capítulo de hoje é Dylan”

  1. Querida, acabei de comprar o Modern Times e ainda não consegui ouvir, acredita? O som quebrou, inclusive o do computador… Estranho…
    Então, estou aqui olhando o disco e lendo o seu post e fico muito feliz porque entendo perfeitamente o que você diz sobre como fica bom o dia, ao som da voz do Bob Dylan.
    Nos duas gostamos dele igual, esse foi um ponto de encontro nosso, desde o começo, nãoé?
    Beijo grande
    PS – fiquei até motivada a voltar a escrever na Mesa da Cozinha…

  2. Fui la no Chatterbox e corri pra cá, pra ver vc falar do Dylan…e ganhei um dia de coisas que aqueceram o meu coração!
    Eu moro em apartamento(1º andar) e quem me vê dançar são os transeuntes que eu nunca mais verei…entonces, danço e canto mesmo!
    beijos, querida!

  3. Fer, mais um elogio…o post está uma delícia mesmo! Tão bom sentir essa coisa leve nos levando pela vida afora, não???
    Fiquei com vontade de comer pistaches…seu marido deve voltar cheio dessas delícias…que dúvida o que fazer, hein??? Aqui é tãoooo caro!
    Um beijo ensolarado,

  4. Fer,
    pode ser que não, mas o que captei que você sente ao ouvir Dylan, ao saber de um cd novo dele na praça, acontece comigo também – mas com outros dois artistas: Bruce Springsteen e Tina Turner. Adoro esses dois.
    Quanto ao Dylan, não conheço muita coisa dele não (apesar de gostar do que conheço). Interessante é que semana passada, numa daquelas idas ao shopping, vi uma promoção de dvd e acabei levando qual, qual? “Bob Dylan – Tales from a golden age”. Ainda não vi, mas não deve passar desse final de semana.
    Beijo
    😉

  5. Fer, é incrível como a vida é feita de coincidências. Eu entrei aqui pra te falar uma coisa e me deparei com sua referência ao Dylan. Bom, o que eu ia dizer é que ontem liguei a TV à tarde e em um canal estava passando Hurricane, que pra mim, é a música do Dylan na cabeça e em outro estava prestes a começar No Direction Home, ou seja, era o dia Dylan na TV paga aqui no Brasil. Optei pelo segundo, que eu ainda não tinha assistido e não me decepcionei, achei um pouco longo, é verdade, mas muito legal. Ver aquelas cenas antigas, das referências e influências do sr. Zimmerman, os primeiros shows, etc e principalmente os velhos olhos azuis, que não são do Frank, nem do Elvis (eu sou fanática por ele), mas que nos fascinam, como poucos, valeu super a pena e eu passei o tempo todo, me lembrando de você, daí entro aqui hoje e leio isso, só dá pra dizer que a vida é mesmo feita de coincidências. Um super beijo e me perdoe o comentário gigantesco.

  6. Delícia de post FER. Me lembrei de um dia desses em que resolvi dançar com a minha filha pela casa e me deparei com a vizinha observando. Felicidade é uma coisa boa mesmo.
    Beijão

  7. ..e que to aqui lendo este post enquanto como a minha victoria plum..fazendo de conta que estou trabalhando..olhando seria pra tela..que delicia esta leitura..volto agora pro meu mundo de teclados..mas antes vou pegar um cafe porque senao ninguem e de ferro..bom dia..

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