O Arroz do Carreteiro

“Não tem mistério o feitio
dessa iguaria bagual:
É xarque – arroz – graxa – sal
É água pura em quantidade
Na panela cascorenta
Alho – cebola ou pimenta,
Isso é conforme a vontade.”
“Hoje te matam à míngua
Em palácio e restaurante,
Mas não há quem te suplante,
Nem que o mundo se derreta,
Se és feito em panela preta,
Servido em prato de lata
Bombeando a lua de prata
Sob a quincha da carreta!”
[* cantiga popular gaúcha, que ensina a receita do prato tradicional dos pampas – in Cozinha Brazileira (com recheio de história) – Ivan Alves Filho & Roberto Di Giovanni]

2 comentários sobre “O Arroz do Carreteiro”

  1. Não sei como eu não vi essa postagem antes (acho que nunca tinha fuçado nos arquivos de 2005). Que beleza!
    O meu avô faz um arroz carreteiro delicioso. Ele mesmo prepara a carne e de um jeito todo especial. Como é marceneiro construiu uma espécie de “viveiro” para a carne ficar descansando no sol até atingir a textura, o ponto ideal. Quando o meu pai vai visitá-los em Campo Grande sempre traz para casa um saco de arroz (meu avó aproveita tudo, é um politicamente correto às antigas) cheio de carne seca para matar a saudade. Sem dúvida uma comfort food para nós.
    Beijo.
    P.S.: apesar de morar em MS o meu avô é gaucho, com isso quero dizer que a cantiga é perfeita, um retrato dessa cultura.

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